EI assume ataques que mataram 40

By | 21/02/2015

Qubbah. Jurando lealdade ao Estado Islâmico, militantes mataram pelo menos 40 pessoas explodindo a si mesmos em carros repletos de explosivos no leste da Líbia ontem, um atentado em retaliação aos ataques aéreos do Egito contra alvos do grupo islamita.

Três carros-bomba explodiram em Qubbah, pequena cidade próxima da sede do governo, no que pareceu ser um ataque de grande visibilidade do grupo depois da invasão de um hotel em Trípoli e do assassinato de 21 reféns egípcios cristãos coptas.

Na segunda-feira (16), jatos da Força Aérea egípcia bombardearam supostas posições do Estado Islâmico em Derna, no extremo leste da Líbia, um dia após a facção ultrarradical divulgar um vídeo mostrando a decapitação dos 21 trabalhadores imigrantes egípcios em uma praia.

"Eles mataram e feriram dezenas para vingar o derramamento de sangue de muçulmanos na cidade de Derna", disse um comunicado emitido pelo "Estado Islâmico, província de Cirenaica". A Reuters não pôde comprovar, mas o grupo já emitiu declarações anteriormente.

Três bombas explodiram pouco antes das preces de sexta-feira num posto de combustível, na sede da segurança local e no conselho da cidade de Qubbah, lar do presidente do Parlamento, Aguila Saleh. A casa do parlamentar é próxima do conselho. Cerca de 40 pessoas foram mortas, entre elas três egípcios, e 70 ficaram feridas, disseram fontes médicas e de segurança.

Falta de ações

O combate a ações como a que houve na Líbia foi o foco de três dias de discussões de alto nível, em Washington, encerradas na quinta-feira (19). No encontro, os EUA angariaram o apoio e o compromisso de vários países no combate ao "terrorismo" jihadista, mas sem adotar passos concretos sobre o tema.

O presidente Barack Obama e seu secretário de Estado, John Kerry, encerraram essa cúpula mundial "contra o extremismo violento" na presença de representantes de 60 países, entre eles o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e os ministros do Interior francês e britânico, Bernard Cazeneuve e Theresa May, respectivamente.

A reunião vinha sendo preparada há meses, mas ganhou especial relevância após os recentes atentados em Paris e em Copenhague e em meio à campanha internacional contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

"Estamos aqui hoje, porque estamos unidos contra o aumento do extremismo violento e contra o terrorismo", disse Obama na cúpula. Os países devem se manter "firmes em sua luta contra as organizações terroristas", frisou Obama, prometendo trabalhar com países instáveis, como Iêmen e Somália, para ajudá-los a "evitar que haja espaços ingovernáveis, onde os terroristas possam encontrar refúgios seguros". O presidente apresentou algumas prioridades para neutralizar as "ideologias distorcidas" de grupos como o EI.

Entre elas, Obama afirmou que os governos devem aprofundar a cooperação contra combatentes estrangeiros, procurar acabar com tensões e conflitos sectários, e acabar com o financiamento a grupos fomentadores do ódio. Problemas econômicos e políticos também devem ser atacados, completou, para permitir o crescimento.

Caminho para o progresso

Em declaração divulgada ao final do encontro, participantes prometeram "traçar o caminho para o progresso". A intenção é apresentar propostas para serem discutidas nas reuniões que acontecem em paralelo à Assembleia-Geral da ONU, em setembro. Condenando a onda de ataques, a declaração "ressaltou" o compromisso de lutar contra extremistas e destacou a necessidade de apoiar líderes religiosos e comunitários locais. "Vamos deixar (o encontro) com um compromisso renovado de construir um mundo livre de terrorismo e de ideologias de violência", disse a conselheira de Segurança Nacional dos EUA, Susan Rice.

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