Egídio Serpa: Crime irrigar por inundação

By | 27/12/2015

Faz pouco tempo, criou-se uma força-tarefa – a Policia no meio – para identificar e punir os que, sem outorga da Cogerh, captam água do rio Jaguaribe. Constatou-se que eram verdadeiras todas as denúncias nesse sentido. O tempo passou, a crise hídrica agravou-se, mas as coisas seguem como estavam antes da ação da força-tarefa. Mais grave: neste momento, no auge desta crise, continua – em pelo Vale do Jaguaribe – o cultivo de arroz irrigado por inundação com água do açude Castanhão. "É crime", dizem os técnicos da Cogerh e repetem os fruticultores que usam em sua plantação a irrigação por gotejamento. O Ceará não pode desperdiçar água para produzir arroz, mesmo na bonança hídrica. É mais barato trazê-lo do Rio Grande do Sul ou de Goiás. Como a impunidade reina aí também, só resta a esperança da intervenção divina.

Irrigação

Uma boa notícia acaba de chegar procedente da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece): no mês de janeiro do ano novo, será licitada a elaboração do Plano Diretor da Agricultura Irrigada do Ceará. É uma boa e inédita novidade. Detalhe: terá prioridade no uso da água quem a utilizar em menor volume e, ao mesmo tempo, criar mais empregos.

Sem água

Por absoluta falta de água, a CBC – Ceara Bulbo Corporation – empresa que produz bulbos, flores e plantas ornamentais no Baixo Acaraú – tomou a drástica decisão de suspender suas atividades. Na mesma região, aliás, e pelos mesmos motivos, pequenos irrigantes do Projeto de Irrigação Baixo Acaraú também adotaram a mesma providência. É a seca!

Drenagem

Fortaleza e sua Região Metropolitana consomem por mês o equivalente a 30 milhões de metros cúbicos de água. Esse volume seria bem menor se houvesse aproveitamento mais eficiente da água da chuva. A primeira providência seria de caráter elementar: levantar a rede de drenagem, que, hoje, conduz as águas da chuva para o mar. Que desperdício. Que tal a construção de mini-barragens para guardar essa água e, em seguida, encaminha-la – pelo Eixão das Águas – até o Complexo Industrial do Pecém?

Parceria

Tornaram-se parceiros o Governo do Estado e a Fiec – Federação das Indústrias do Ceará. Uma parceria cujo valor de R$ 6 milhões será repartido entre um grupo de empresas associadas à Fiec. As duas partes contrataram as empresas de consultoria McKinsey Brazil e Macroplan. Elas elaborarão uma espécie de plano diretor que dirá em que setores o Estado deverá investir em Parceria Público Privada, ou seja, por meio de concessões. Tudo sob o pálio do Brasil Competitivo.

Dnocs

Odorico Monteiro (foto), um deputados federal cearense de eficiente atuação, integra a Frente Parlamentar que, em Brasília, foi criada em defesa do Dnocs e a favor da segurança hídrica no Nordeste. Monteiro reconhece que há mesmo no Governo algumas cabeças que querem extinguir o Dnocs. Para evitar isso, sugere ele que se dê ao Dnocs a tarefa de gerenciar o Projeto São Francisco de Integração de Bacias. É difícil!

Ah!!

Coreanos

Na Praia do Cumbuco e no entorno do Complexo do Pecém, onde está localizada a usina siderúrgica, há restaurantes e pousadas exclusivas para coreanos. E mais: neles, só se fala o idioma coreano, cuja cultura começa a misturar-se com a dos cearenses. No campo de golfe de Aquiraz, os coreanos também estão.

Oh!!

Um túnel

Há um gargalo que pode impedir a conclusão – no prazo prometido – setembro de 2016 – das obras de construção do Projeto S. Francisco de Interação dde Bacias. É o túnel de Milagres, que neste momento só tem algo como 20% prontos. O governador Camilo Santana está liderando o grupo de preocupados.

"No meu governo, a transposição é a obra mais prioritária"
Presidente Dilma Rousseff, 3ª feira, 22, em Pernambuco, reavivando a esperança de que o projeto São Francisco será concluído

Livre Mercado

Um servidor de segundo escalão da Funceme contou a esta coluna que o quadro de técnicos da instituição é pequeno e franciscanamente remunerado. A mesma fonte, cujo salário é de R$ 1.500, incluídas as gratificações, revelou que, por falta de pessoal especializado em meteorologia, a Funceme não tem um serviço de plantão para acompanhar o tempo.

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