Doleiro diz ter repassado R$ 800 mil de propina ao PT

By | 12/02/2015

O doleiro Alberto Youssef afirmou em depoimentos à força-tarefa da Operação Lava-Jato que repassou R$ 800 mil em propinas ao PT por meio do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

O suborno, de acordo com o depoimento, teria resultado de um contrato que a empresa Toshiba fechou com a Petrobras em 2009 para executar obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no valor de R$ 117 milhões.

O depoimento sobre a propina da Toshiba ao PT está em um dos 28 testemunhos de Youssef anexados nesta quinta-feira (12) a um dos processos da Lava-Jato que tramita na Justiça Federal do Paraná.

Youssef declarou que foi negociado também o pagamento de propina para o PP, e que o repasse ao Partido dos Trabalhadores foi negociado diretamente com Vaccari Neto.

"O presidente da Toshiba no Brasil, que ficava em São Paulo, o também o diretor comercial, de nome Piva, trataram diretamente com o declarante [Youssef] de que iriam dar 1% do valor da obra para o PP e 1% para o PT. (…) O valor do PT foi negociado com João Vaccari [Neto], que na época era quem representava o PT nos recebimentos oriundos dos contratos com a Petrobras", diz o relatório.

Segundo o doleiro, foram feitos dois pagamentos do montante destinado ao PT. O primeiro, no valor de R$ 400 mil, foi entregue, ainda de acordo com o doleiro, a Marice Correa de Lima. Ela é cunhada do tesoureiro do PT. A outra parcela, no mesmo valor, teria sido entregue a Vaccari em um restaurante de São Paulo por Rafael Ângulo Lopes, emissário de Youssef.

Ainda de acordo com o depoimento, a Toshiba repassou para a MO Consultoria -empresa de Youssef- o dinheiro destinado aos dois partidos.

O doleiro afirmou ainda que, do total repassado ao PP, 60% ia para o partido, 30% para Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e 5% para João Cláudio Genu, ex-assessor da sigla. Youssef ficava com os outros 5%, disse.

O total da propina era já o valor líquido, "deduzidos os 20% de custos de operacionalização, como emissão de notas e impostos".

Youssef também disse que Paulo Roberto Costa sabia que os valores eram oriundos da Toshiba.

"[O doleiro] se recorda que houve inclusive uma reunião, salvo engano no hotel Hyat, com o presidente da Toshiba, e também Piva, Genu, Paulo Roberto e o declarante, justamente para discutir o repasse dos valores", diz o depoimento.

No depoimento, Youssef afirmou que a Toshiba fazia parte do cartel de empresas que atuava na Petrobras, mas atuava mais como subcontratada de outras empresas, principalmente na realização da parte elétrica das obras.

Outro lado

O PP afirmou que "somente poderá se posicionar após tomar conhecimento oficial sobre os depoimentos que envolvem a legenda", mas que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e que todas as doações que recebe são legais.

Em nota, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, negou ter recebido "qualquer quantia em dinheiro por parte do senhor Alberto Youssef". Ele classificou as afirmações do doleiro como "mentirosas". O texto reforça o que a sigla tem dito desde as primeiras suspeitas de recebimento de propina: todas as doações ao PT são legais e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"A afirmação de Youssef causa profunda estranheza, pois sua contadora, Meire Bonfim Poza, declarou à CPI Mista da Petrobras, no último dia 8 de outubro, que não conhece e que nunca fez transações financeiras com Vaccari Neto", diz a nota.

A Toshiba negou, em nota, o pagamento de suborno, afirmando que "todo e qualquer contrato com entidades publicas resultaram de processo licitatório regular, nos termos da legislação vigente" e que, portanto, "considera caluniosa qualquer alegação de participação em cartel e pagamento de propina".

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