Dólar dispara e chega a R$ 2,83; alta de 1,83%

By | 11/02/2015

São Paulo. O turbilhão de incertezas que atinge o mercado brasileiro colocou, ontem, o dólar no maior patamar desde 8 de novembro de 2004. A moeda americana fechou em R$ R$ 2,8310, uma alta de 1,83%. Desde o fim de janeiro, o dólar vem numa clara escalada ante o real. No dia 29, estava cotado a R$ 2,6080. Em apenas oito dias úteis, foram 22 centavos de alta.

O gatilho para o movimento foram os comentários do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele afirmou que o governo não tem a intenção de manter o câmbio "artificialmente valorizado".

"Temos os problemas de sempre: risco de racionamento de energia, falta de água, PIB baixo", disse João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora.

As notícias que vêm do exterior também têm contribuído para a valorização da moeda americana. Na sessão de ontem, a incerteza em relação ao destino da Grécia foi o principal pano de fundo externo para o avanço da moeda. As informações eram de que a Comissão Europeia teria preparado uma proposta para prolongar em seis meses o resgate financeiro grego.

No entanto, o ministro da economia da Alemanha, Wolfgang Schäuble, descartou a possibilidade de novo acordo para a dívida da Grécia. Como não está claro nem mesmo se o país aceitaria um novo acordo, a indefinição permanece. Isso manteve o dólar em alta ante praticamente todas as demais divisas de países emergentes e exportadores de commodities no exterior. Só que, no Brasil, as preocupações internas intensificaram esse movimento. Na cotação mínima de balcão, vista na abertura, a moeda americana marcou R$ 2,7850, para depois subir até a máxima do dia, 2,8360, recuando depois para os R$ 2,8310.

Especulação

Segundo analistas, há também um forte componente especulativo nesse movimento. "Em 2002, houve um firme avanço do dólar por conta da eleição do Lula. Mas, naquele momento o País estava quebrado, com poucas reservas. Na crise de 2008, houve novo estresse, mas a questão foi global", afirmou Alfredo Barbutti, economista da BGC Liquidez Corretora. "O próprio ministro (Joaquim Levy) falou que as relações de troca pioraram. Mas o dólar subiu quase 25 centavos em oito sessões e pode chegar em R$ 2,90. O Brasil hoje não está sufocado como a em 2002".

Por essa lógica, há realmente motivos de sobra para as cotações subirem ante o real, mas os especuladores ampliam a intensidade e a rapidez. É o "efeito manada" citado por Corrêa, da Correparti. "Ainda mais com o Carnaval se aproximando, o que faz os investidores tenderem a ficar mais comprados para cruzar o feriado", comentou outro profissional de corretora.

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