Diante da crise com credores, bancos da Grécia não abrem nesta segunda

By | 28/06/2015

Os bancos da Grécia não vão abrir nesta segunda-feira (29), véspera do possível calote do governo de € 1,6 bilhão ao FMI (Fundo Monetário Internacional). O governo pode anunciar ainda o controle de capital, ou seja, restrições para transações bancárias, como limite de saques.

A decisão de não abrir os bancos, anunciada em Atenas neste domingo (28), é uma forma de conter a insolvência deles diante da onda de saques nos últimos dias e da previsão de aumento de retiradas a partir desta segunda. A medida pode ser estendida até o próximo dia 5, data de uma consulta popular sobre a negociação com credores.

O fechamento dos bancos ficou inevitável depois de o Banco Central Europeu informar neste domingo (28) que não vai aumentar o fundo de assistência emergencial às instituições bancárias. A ajuda, chamada de "ELA" (assistência de liquidez de emergência), serve para os bancos gregos reporem os recursos retirados pela população. Sem esse recurso, os bancos podem ficar sem dinheiro.

População corre aos caixas eletrônicos

Pelo menos € 5 bilhões foram sacados em 15 dias. Jornais gregos relatam grandes filas de pessoas em caixas eletrônicos neste fim de semana. BCE e lideranças europeias pressionam a Grécia a impor o quanto antes um controle de capitais, ou seja, restringir os saques. O governo comandado pelo premiê Alexis Tsipras, do partido de esquerda Syriza, resiste.

Para evitar o calote no FMI nesta terça-feira (30), a Grécia quer desbloquear o acesso a € 7,2 bilhões, última parcela do socorro de € 240 bilhões recebido do FMI e do BCE desde 2010. As negociações foram suspensas no sábado (27), depois que a Grécia anunciou uma consulta popular para o próximo dia 5. Os credores e os países da zona do euro exigem compromissos fiscais em troca de um acordo e discordaram da decisão de anunciar uma votação.

Credores exigem mais cortes

A proposta de votação, anunciada na sexta (26) à noite, foi aprovada na madrugada deste domingo (28) pelo Parlamento grego em sessão extraordinária. Os credores exigem mais cortes de gastos e reforma profunda na Previdência. A Grécia fez uma proposta de ajuste de € 7,9 bilhões que não foi aceita. Eleito em janeiro sob a bandeira contra medidas de austeridade, Tsipras vive o dilema de topar um acordo que contradiz seu discurso de campanha ou levar o país a um caminho cada vez mais distante da zona do euro.

O premiê faz uma aposta de risco político: se a população optar pela negociação, Tsipas vai, em tese, aceitar algo, segundo suas palavras, "humilhante" para a Grécia. O governo grego rejeitou na sexta uma última oferta dos países da zona do euro de prorrogar por mais cinco meses a dívida em troca de receber uma ajuda de € 16,3 bilhões. O novo socorro dependeria, no entanto, de a Grécia concordar com as reformas.

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