Depois do Hotel Gloria, Eike Batista devolve chaves de edifício ao Flamengo

By | 23/01/2016
EIke Batista tem uns R$  200 milhões de patrimônio, mas acumula dívidas de bilhões de reais. Quem o conhece, diz que ele está “descompensado”, alterando momentos de depressão e de uma euforia descabida (Foto: Daryan Dornelles)

Em mais um capítulo do desmonte do império X, o empresário Eike Batista entregou na tarde desta sexta-feira (22/01) ao Clube Flamengo as chaves do Edifício Hilton Santos, no Morro da Viúva, uma área nobre da zona sul carioca. Com a crise financeira do grupo EBX o projeto de transformar o prédio de 150 apartamentos em um hotel com 450 quartos não decolou. O Conselho Deliberativo do clube aprovou o acordo na terça-feira (19/01) e pretende abrir uma nova licitação pelo imóvel nos próximos meses.

O acerto ocorre na mesma semana em que Eike selou a transferência de ações de suas empresas e do Hotel Gloria, que pretendia revitalizar, ao fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala. O prédio do Morro da Viúva foi assumido pela Rex, braço imobiliário da EBX, em março de 2012. O grupo desembolsou R$ 19 milhões em luvas ao clube por uma concessão de 25 anos, renovável pelo mesmo período. O valor não será devolvido.

O grupo X também arcou com todas as despesas de desocupação do edifício. O investimento estimado para transformar o prédio em um hotel de luxo era de R$ 200 milhões, o que se tornou inviável após a derrocada das empresas de Eike Batista.

O diretor jurídico do Flamengo, Bernardo Accioly, explica que a permissão para transformar o imóvel em um hotel fazia parte do Pacote Olímpico e já expirou. Isso significa que se os novos concessionários optarem por um projeto hoteleiro terão que obter autorização da prefeitura.

Segundo o advogado há pelo menos cinco grupos interessados em avaliar o edifício, entre construtoras e redes de hotéis. A decisão por um acordo se deu após muitos contatos entre o clube e o empresário. Pelo contrato, a partir deste ano Eike teria que pagar R$ 300 mil mensais em aluguéis ao Flamengo, além de gastos de cerca de R$ 100 mil ao mês com IPTU, luz e pagamento de seguranças. Diante disso, deixar o projeto passou a ser mais vantajoso para o fundador do grupo X. Já o Flamengo considerava mais fácil atrair novos investidores descolando o projeto da figura do empresário.

Revista Época Negócios