Declarações da presidente do Fed fazem dólar cair e bolsa subir

By | 25/02/2015
Vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Janet Yellen (Foto: Agência EFE)

A presidente do Fed, Janet Yellen, fez um discurso no Congresso americano na tarde desta terça-feira (24/02). Ela frustrou as expectativas dos que esperavam uma fala mais favorável à alta dos juros.

A dirigente explicou que a palavra "paciente", que vem sendo utilizada pela instituição, significa manutenção de juros pelos próximos encontros. Segundo Yellen, a política monetária altamente acomodatícia permanece apropriada, por enquanto.

Antes do aperto, entretanto, Yellen ressaltou em seu depoimento que o banco central deve retirar a expressão do comunicado. A próxima reunião de política monetária do Fed ocorre em 17 e 18 de março e dirigentes estão preocupados que, quando remover a referência "paciente" de sua declaração de política monetária, os investidores possam acreditar que aumentos da taxa são iminentes.

No Brasil, o dólar interrompeu cinco sessões de alta e fechou com a maior queda porcentual ante o real em um único dia desde 8 de janeiro após a fala de Yellen.

No fim dos negócios, o dólar fechou com queda de 1,39%, a R$ 2,8340. O volume de negócios totalizava US$ 1,247 bilhão, por volta das 16h30. No mercado futuro, o dólar para março recuava 1,56%, a 2,8390. A Bovespa fechou em alta de 1,16%, aos 51.874,17 pontos.

Também contribuíram para o humor do mercado a notícia divulgada na noite de ontem de que o PMDB apoiou as medidas provisórias que endurecem o acesso a benefícios trabalhistas, como o abono salarial e o seguro-desemprego, e adiou a votação do veto da presidente Dilma Rousseff à proposta de reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para 2015, que seria votada hoje.

Entre os destaques da agenda doméstica de indicadores estavam os dados de inflação e das transações correntes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 subiu 1,33% em fevereiro, no resultado mais elevado desde fevereiro de 2013 (+2,19%). Em janeiro o índice teve alta de 0,89%. O resultado ficou acima da mediana das estimativas, de aumento de 1,30%, e dentro do intervalo previsto, com taxa entre 1,21% e 1,38%.

O apetite por risco na Europa também foi alimentado pela notícia de que o Eurogrupo aprovou uma extensão por quatro meses do programa de ajuda financeira à Grécia, depois que o país apresentou uma primeira lista de reformas a serem implementadas nos próximos meses. As reformas foram colocadas como condição para a prorrogação do socorro de 240 bilhões de euros à Grécia. O acordo ainda precisará ser aprovado pelos parlamentos de alguns países da zona do euro, como Alemanha e Finlândia, mas a expectativa é que não haja entraves.

 

 

Revista Época Negócios