Construção reclama falta de crédito e atraso em verbas

By | 15/06/2015

São Paulo. O volume de negócios realizados pela construção civil brasileira vem registrando queda neste primeiro semestre, em relação a igual período de 2014. A retração é influenciada pelas mudanças econômicas no País. Para 92% das empresas, a situação está muito pior ou pior do que o esperado para o período, segundo estudo realizado pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema).

O estudo da entidade revela que os principais problemas enfrentados pelas empresas da construção civil neste ano são: atraso em obras (79%); falta de crédito para compra de equipamentos (11%); custo de mão de obra (5%); e falta de mão de obra especializada (5%).

Com 70%, a liberação de verba é a principal razão para os atrasos nos serviços durante os seis primeiros meses de 2015, seguida pelo licenciamento ambiental (16%), licitação (13%) e injunções (1%). Em relação à demanda por equipamentos de construção, 85% dos empresários entrevistados disseram que será menor, 11% igual e apenas 4% responderam que a procura deverá crescer.

Corte de pessoal

Sobre o total de empregados fixos, 96% registraram corte no quadro de funcionários, 4% não diminuíram o número e nenhuma empresa contratou mais pessoal. "Mesmo diante dessa situação, existem coisas acontecendo no País que nos dão esperança. Temos condições de animar novamente o mercado", afirmou o consultor da Sobratema, Brian Nicholson. Para ele, o ajuste fiscal já vem fazendo o mercado internacional acreditar novamente no Brasil, afastando o temor de rebaixamento da nota de crédito do País e, consequentemente, o grau de investimentos.

Outro fator que Nicholson considera importante para aumentar o volume de negócios do segmento é o novo pacote de concessões na área de infraestrutura logística. Com investimentos estimados em R$ 198,4 bilhões, a segunda etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL) foi anunciada na última terça-feira (9) pela presidente Dilma Rousseff.

Compra de equipamentos

Ainda de acordo com a pesquisa, em novembro de 2014, a expectativa do mercado de máquinas para a construção civil era que as vendas de produtos da linha amarela (equipamentos para movimentação de terra) fossem 12,2% menores neste ano, previsão que saltou para -35,9% no último mês de maio.

"No que se refere à venda de equipamentos, identificamos que várias empresas da construção civil estão segurando as compras, acreditando nas ofertas da feira", acrescenta o consultor. Nicholson acredita que, a partir do próximo semestre, o setor retomará o crescimento.

O levantamento foi divulgado durante a 9ª Feira e Congresso Internacionais de Equipamentos para Construção e 7ª Feira e Congresso Internacionais de Equipamentos para Mineração (M&T Expo 2015). Promovido pela Sobratema, o evento ocorreu de 9 a 13 deste mês, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, na capital paulista.

O presidente da Sobratema, Afonso Mamede, lembrou que a M&T Expo 2015 deverá representar entre 20% a 30% do volume de comercialização de equipamentos neste ano.

Ao todo, 478 empresas de 25 países expuseram no evento, representando mais de mil marcas. Aproximadamente 50 mil pessoas do Brasil e do exterior visitaram a feira, que contou com uma área total de 100 mil metros quadrados.

Raone Saraiva*
Repórter

*O jornalista viajou a São Paulo a convite da Sobratema

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