Collor nega ter recebido propina por negócio de subsidiária da Petrobras

By | 24/02/2015

O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) negou, nesta terça-feira (24), que tenha recebido R$ 3 milhões de propina resultante de um negócio da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. Collor afirmou, em nota, que as afirmações do doleiro Alberto Youssef sobre o caso "padecem de absoluta falta de veracidade e credibilidade".

"Ainda mais quando recolhidas e vazadas de depoimentos tomados em circunstâncias que beiram a tortura de um notório contraventor da lei, agravados por suas condições físicas e psicológicas", diz a nota.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta terça mostra que o doleiro, em depoimento a procuradores que investigam o escândalo de corrupção na Petrobras, disse que a operação com a BR Distribuidora foi intermediada por um emissário de Collor e do PTB, o empresário e consultor do setor de energia Pedro Paulo Leoni Ramos (também investigado pela Lava Jato), amigo do ex-presidente desde a juventude e ex-ministro de seu governo (1990-1992).

O valor, segundo Youssef, foi repassado a Leoni, e de acordo com o delator, todos sabiam que Leoni era um emissário do senador, mas não detalhou como a propina teria chegado a Collor.

O PTB, partido do qual Collor é atualmente líder no Senado, tinha dois diretores na BR Distribuidora: José Zonis, na área de Operações e Logística, e Luiz Claudio Caseira Sanches, na Diretoria de Rede de Postos de Serviço. Eles permaneceram na estatal entre 2009 e 2013. Zonis foi uma indicação direta do senador, segundo a Folha apurou; Sanches, do partido.

Em nota, o PTB de Alagoas defendeu Collor. Segundo o partido, há uma "orquestração sórdida" contra o senador. A nota afirma ainda que as acusações partem de um "criminoso confesso, já encurralado em suas teias de contravenções".

Leia, na íntegra, as notas:

FERNANDO COLLOR DE MELLO

"É com indignação e veemência que rechaço o teor da matéria veiculada na edição de hoje (24/02/15), no jornal Folha de S.Paulo, sobre suposto pagamento de valores em meu nome oriundos do esquema criminoso do doleiro Alberto Youssef na Petrobras. As referidas informações padecem de absoluta falta de veracidade e credibilidade, ainda mais quando recolhidas e vazadas de depoimentos tomados em circunstâncias que beiram a tortura de um notório contraventor da lei, agravados por suas condições físicas e psicológicas. O próprio conteúdo da matéria restringe-se a ilações e generalidades da fala do criminoso, sem apresentar Qualquer vinculação de meu envolvimento. Reafirmo que não conheço Alberto Youssef e jamais mantive com ele qualquer tipo de relação pessoal, política ou empresarial."

PTB

"O Diretório Regional do Partido Trabalhista Brasileiro-PTB, com indignação, reage a mais uma tentativa de associar o nome do nosso companheiro, o senador Fernando Collor, a tal Operação Lava Jato. Reverberam-se agora trechos pinçados de depoimento efetuado por um criminoso confesso, já encurralado em sua própria teia de contravenções, para também tentar atingir a nossa agremiação partidária. Ao repelir o conteúdo jornalístico veiculado pela Folha, os dirigentes petebistas rechaçam a insistente busca de inseri-lo como beneficiário de recursos advindos da fraude e da corrupção, por mais estas razões que seguem: 1- O senador nunca possuiu qualquer relação de ordem pessoal, política ou empresarial com o doleiro-delator; 2- Tão logo apareceu a estranha história de supostos depósitos atribuídos ao contraventor em conta pessoal do senador – de forma fracionada, acrescente-se, de modo a ocultar a origem dos depositantes -, o senador exigiu formalmente esclarecimentos das autoridades, em pronunciamento efetuado na tribuna do Senado; 3- Após a cobrança da verdade, permanece até hoje a inexistência de qualquer fato real, concreto, que o vincule à Operação Lava Jato; 4- Ainda sobre os tais depósitos, tão reverberados no curso da última campanha eleitoral, o PTB mantém a suspeição de orquestração sórdida contra o senador, que aguarda esclarecimentos da própria investigação já instaurada no âmbito do STF; 5- É de conhecimento público a histórica trajetória da família Collor, que herdou um dos complexos empresariais mais bem sucedidos em seu segmento no Brasil, o que só eleva a nuvem de suspeição contra essa sucessiva associação de seu nome ao esquema promíscuo investigado; 6- O PTB alerta: foi por conta de um turbilhão de denúncias falsas que o povo foi levado a condenar o então presidente da República, perseguido e cassado politicamente. E o que aconteceu posteriormente? A mais alta Corte de Justiça, o STF, o inocentou em dois julgamentos. 7- O PTB reafirma a sua confiança no senador Collor, líder de um bloco partidário no Senado Federal e cuja atuação parlamentar é reconhecida até pelo Diap, que o elegeu como um dos senadores mais influentes do Congresso Nacional."

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