Chuvas deixam mais de 170 mil desabrigados

By | 28/12/2015

Buenos Aires. A forte chuva que atinge quatro países na América do Sul, incluindo o Brasil, provocou enchentes em diversas localidades e deixou mais de 170 mil pessoas desabrigadas. A maior parte das vítimas está no Paraguai, onde quase 140 mil pessoas tiveram que ser alojadas em abrigos improvisados pelas autoridades locais. Desse total, pelo menos 90.000 pessoas estão nas regiões ribeirinhas próximas à capital do país, Assunção, informou ontem a Secretaria de Emergência Nacional.

"O rio (Paraguai) está perto dos 8 metros. Nem as piores previsões indicavam que em dezembro poderíamos chegar a estes níveis no rio Paraguai", disse Julián Báez, titular da Direção de Meteorologia e Hidrologia paraguaia. O pico de 9 metros de cheia do rio data de 1983, quando as águas alagaram o porto de Assunção e inundaram ruas do centro da capital. O governo determinou que os 7.000 moradores da cidade de Alberdi, 130 km ao sul, deixem a localidade devido a fissuras no muro de contenção, que poderiam provocar uma tragédia.

As inundações são acompanhadas de chuvas torrenciais, que no fim de semana deixaram quatro pessoas mortas, esmagadas na queda de árvores na região metropolitana de Assunção. Báez admitiu que o rio Paraguai baixou 3 cm nas margens de Assunção, apesar das chuvas. No entanto, os prognósticos são de mais chuvas no país para os próximos cinco dias.

Depois de decretar estado de emergência, o presidente Horacio Cartes anunciou que US$ 3,5 milhões serão destinados para auxiliar os desabrigados.

Mais chuvas

Na Argentina e no Uruguai, 20 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, sendo 15 mil somente em cinco províncias do Noroeste argentino, como Entre Rios, Corrientes e Chaco. Duas pessoas morreram na região.

O presidente argentino Mauricio Macri disse que a ajuda social para áreas alagadas está sendo providenciada e que o governo trabalha em conjunto com as equipes de municípios e das províncias para dar uma resposta à situação, estudando o melhor uso dos recurso.

"Temos que nos comprometer com soluções definitivas", disse Macri em entrevista coletiva realizada em Concórdia, às margens do rio Uruguai, atingida pela pior inundação desde 1959 e onde há 10 mil desabrigados.

Macri falou com os jornalistas após sobrevoar ontem, de helicóptero, a zona inundada, ao lado do governador de Entre Rios, Gustavo Bordet, e do prefeito de Concórdia, Enrique Cresto.

"Me comprometi que a Nação (governo federal argentino) vai participar com 66% dos investimentos necessários para a construção de residências fora desta zona de cota baixa que hoje está inundada", destacou.

O presidente da Argentina também se comprometeu a elevar em um metro a barreira de contenção que protege Concórdia das cheias do rio Uruguai, chegando a 18 metros de altura. Macri citou o aquecimento global como causa do desastre. "A mudança climática é uma realidade contra a qual temos que nos envolver", declarou.

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