Cardozo: ações da Polícia Federal contra corrupção são uma revolução

By | 25/12/2015
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, depõe na reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras  (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chamou de "revolução" as operações de combate à corrupção da Polícia Federal (PF), segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo. Para ele, as ações da PF submetem "pela primeira vez na história pessoas que têm poder político e econômico ao peso da lei da mesma forma que os pobres". O discurso foi feito no dia 18 de dezembro durante uma cerimônia reservada de formatura de agentes. “Essa é a revolução republicana e a Polícia Federal é um dos agentes dessa revolução democrática, ordeira, disciplinada. Mas uma revolução que fará, para nós, para os nossos filhos e para os nossos netos, um país diferente daquele que nós recebemos", afimou.

Cardozo defendeu que para ser um bom policial é preciso “combater práticas criminosas” onde quer que estejam. “Não importa que se encontrem nos palácios, dentro das mansões ou da nossa própria organização.” 

O ministro tem sido alvo de críticas, inclusive por parte da cúpula do PT, partido ao qual é filiado, pela maneira como a PF conduz as investigações da Operação Lava Jato. No discurso dado no evento, ele desabafou. “Quando a Policia Federal castiga opositores, é o ministro que a instrumentaliza com o caráter persecutório para punir adversários. Quando a Policia Federal investiga aliados, é o ministro que é incompetente e não controla a sua polícia. Não é na verdade nem uma coisa nem outra. É fato que um ministro da Justiça, embora tenha seu poder hierárquico na Polícia Federal, jamais deverá utilizá-lo para pedir que se investigue inimigos ou que se poupe amigos.”

Cardozo chamou a atenção para o efeito transformador que o combate à corrupção pode ter no país. “O Brasil era o país onde a lei valia para uns, mas não valia para outros. Esta realidade é que vem se transformando e é por isso que acontecem incompreensões quanto ao papel das instituições. Esta é a dimensão republicana que nós estamos hoje vivenciando no Brasil. E daí os problemas e daí as angústias. Quando a luz do sol se coloca sobre a corrupção, que já existia, nós nos sentimos mal. Mas é bom que seja assim!”.

Revista Época Negócios