Caminhoneiros e transportadores bloqueiam trechos de rodovias em sete estados

By | 24/02/2015
Trânsito; Carro; Carona; Congestionamento; Fila;  (Foto: ThinkStock )

Caminhoneiros e transportadores bloquearam nesta segunda-feira (23/02) trechos de rodovias em sete estados – Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Os manifestantes protestam contra o aumento do preço do diesel e as tarifas de frete abaixo dos custos de transporte. A mobilização começou na última quinta-feira (19). Na manhã desta segunda-feira, caminhoneiros também fizeram protestos na rodovia Fernão Dias, em São Paulo.

Em Mato Grosso, são cinco pontos de interdição na BR-163, importante via de escoamento da produção agrícola brasileira, informou nesta Segunda-feira a concessionária Rota do Oeste, responsável pela rodovia desde o ano passado.

Há bloqueios nos quilômetros 306, em Cuiabá, 122, em Rondonópolis, 593, em Nova Mutum, 686, em Lucas do Rio Verde, e 745, em Sorriso. Nos dois primeiros pontos, o fluxo foi liberado no horário de almoço, mas às 13h voltou a ser interrompido. Há registros de congestionamento em todos os pontos onde as manifestações estão ocorrendo, informou a concessionária.

Segundo a Rota do Oeste, passavam pelo bloqueio apenas ambulâncias, veículos de passeio, ônibus e caminhões com cargas vivas ou perecíveis. A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT) informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que existia preocupação entre produtores no fim da semana passada sobre acesso a combustíveis para colheitadeiras, mas, como alguns trechos tiveram passagem liberada no fim de semana passado, o abastecimento foi normalizado.

No Paraná, são 12 os trechos bloqueados, em quatro rodovias diferentes. Na BR-163, o fluxo foi interrompido nos quilômetros 32, em Santo Antônio do Sudoeste, 64, em Pérola d'Oeste, 86, em Capanema, 284 e 289, em Marechal Cândido Rondon. Na BR-376, foram interditados os quilômetros 137, em Paranavaí, 187, em Marialva, 245, em Apucarana, e 295, em Mauá da Serra. Na BR-277, a passagem foi bloqueada nos quilômetros 452, em Laranjeiras do Sul, e 338, em Guarapuava. Na BR-369, a interrupção ocorre no quilômetro 179, em Arapongas.

BRF ajusta abate no Paraná por causa de protestos
A BRF decidiu ajustar o abate de animais em três unidades no sudoeste do Paraná, por causa dos problemas de logística enfrentados com os bloqueios realizados por caminhoneiros no Sul do País. A empresa negocia com os manifestantes há uma semana para tentar garantir o transporte de ração e de animais vivos, mas, como o movimento de protesto ganhou força no fim de semana, reforçou os entraves de logística e operação nesta segunda-feira, 23.

"Não adianta abater os animais se não conseguimos os caminhões para o transporte", afirmou o vice-presidente de Relações Institucionais e Jurídico da BRF, José Roberto Rodrigues. O executivo viajou hoje a Brasília, onde deve se encontrar com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, para discutir a questão.

Rodrigues disse que a BRF não tem uma estimativa de prejuízos relativos aos protestos de caminhoneiros no Sul, mas afirmou que a extensão do problema dependerá do posicionamento do governo federal. "Estamos vendo dificuldades em todos os Estados. Eles vão desde a falta de combustível, embalagens e, se continuar nessa linha, faltarão alimentos", disse.
A BRF afirmou que seu principal problema de logística ocorre no Paraná e não afasta a possibilidade de ocorrência de problemas sanitários na produção, caso os bloqueios não sejam desfeitos. A empresa enfrenta, ainda, problemas em Mato Grosso, onde seus fornecedores de ração também têm dificuldades de logística.

Transtornos
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), outras companhias também são prejudicadas pelos protestos. Assim como a sua concorrente, a JBS, dona da Friboi, tem dificuldades no transporte de ração para alimentar os frangos, conforme informou o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. "Recebemos informações do início de prejuízos, porque algumas (empresas) não conseguem mandar cargas para o porto. Outras não conseguem mandar ração para o (produtor) integrado", afirmou Turra. Procurada, a empresa não se posicionou até o fechamento desta nota.

De acordo com o Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne) e a Associação Catarinense de Avicultura (Acav), por meio de comunicado, a unidade da Aurora em Abelardo Luz reduziu à metade o processamento de frangos e pode parar, caso o fluxo de entrega não seja normalizado.

As entidades alertam que nas rodovias federais e estaduais de Santa Catarina os manifestantes não permitem a passagem de caminhões vazios nem com mercadorias não perecíveis. E, como os veículos não podem retornar para o transporte de novas cargas, as associações alertam que os bloqueios asfixiam a economia regional. Os caminhoneiros e transportadores protestam contra o aumento do diesel e as tarifas de frete abaixo dos custos de transporte.

Revista Época Negócios

  • Joao

    Nós Transportadores de Carga esperamos por uma resposta Positiva por conta das autoridades ligadas ao transporte rodoviário de cargas no Brasil. Haja visto que não existe uma infra extrutura adequada a nivel Nacional. Exemplo Falta de manutenção adequada Falta de duplicação das rodovias, Falta de locais para pernoite de motoristas Pois não existe sequer local para estacionar às margens das rodovias. um País no qual ocorrem constantes modernizacões nos veicolos aqui montados. existem rodovias que a decadas e mais decadas não obtiveram uma melhoria sequer.