Cadeia produtiva é estimulada

By | 27/12/2015

Além do mercado de confecção em si, o polo da José Avelino é responsável por movimentar uma rede de negócios que inclui pousadas, restaurantes, lanchonetes e estacionamentos. Com o intenso fluxo de compradores de outras cidades e estados, que duas vezes por semana chegam à Capital, há pousadas que dependem quase que exclusivamente dos turistas que regularmente fazem compras na feira para revender peças de roupa em suas cidades de origem.

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"Praticamente 100% da nossa clientela vem para a feira. E desses, cerca de 80% são mulheres que possuem lojas próprias", diz Barbara Holanda, da Pousada Pajeú, de propriedade de Cláudia Magalhães e que funciona há 10 anos atrás do Mercado Central. "É muito raro a gente receber outro tipo de turista. Alguns até vão à praia, mas a maioria vem mesmo é fazer compras". De acordo com Bárbara, os comerciantes costumam vir a Fortaleza de 15 em 15 dias.

Ela diz que os meses de alta estação, janeiro e julho, não impulsionam a ocupação da pousada. "Nos períodos de férias até fica mais vazio. Para a gente, a melhor época é novembro". Ela diz que, em geral, esses turistas chegam em ônibus de excursões e passam um ou dois dias. "Grande parte vem de São Luís, Belém e Macapá".

Lanchonetes

Se nos primeiros anos de feira, os ônibus paravam nas ruas do entorno e serviam como base para os turistas comerciantes, com o passar do tempo os galpões foram se adequando para receber os veículos e oferecer dormitórios e banheiros aos motoristas e compradores.

E dentro dos próprios shoppings e galpões começaram a se instalar restaurantes e lanchonetes, num modelo familiar semelhante ao que formou os boxes de venda de confecção.

"Comecei com uma barraquinha bem simples e hoje tenho uma lanchonete", diz Felipe Araújo, que há três anos trabalha junto com o filho em um dos galpões da feira. Em cada madrugada de feira, Araújo diz vender 150 sanduíches e 200 tapiocas, o suficiente para sustentar sua família. "Emprego duas pessoas, e sustento cinco com esse negócio. Foi uma grande oportunidade para mim".

Vendas atraíram

A comerciante Rita Capistrano, diz que já trabalhou como empregada doméstica e conheceu a feira da José Avelino há cinco anos, quando era vendedora de cosméticos. "Eu já tinha trabalhado em restaurante, sabia cozinhar e encontrei um lugar para alugar. Comecei vendendo gostosinho e bombou. Vendi muito", ela conta.

"Comprei o ponto por R$ 8 mil. Depois de um mês comprei o ponto vizinho por R$ 15 mil, e depois de quatro meses comprei o outro vizinho por R$ 25 mil. Fiz toda a estrutura e hoje vendo de tudo: gostosinho, panelada, bolo, tapioca?" Hoje ela é sócia do filho, Marcondes Capistrano, e juntos administram a RM Lanches. "Já fiz de tudo na minha vida. E esse foi o melhor negócio que eu já fiz na minha vida", diz Rita, aos 70 anos. "Com esse negócio eu sustento duas famílias. Estou muito feliz lá. Todo mundo que chega naquela feira melhora de vida", ela diz. (BC)

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