Bombas brasileiras podem ter sido usadas na guerra do Iêmen, diz Anistia

By | 31/10/2015

Bombas de fragmentação ("clusters") fabricadas no Brasil podem ter sido utilizadas na guerra civil do Iêmen pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, segundo a Anistia Internacional (AI). De acordo com a ONG, esse tipo de munição -cujo uso, fabricação, transferência e estocagem são proibidos por convenção internacional- foi utilizada em um ataque em uma área residencial na região de Sahar, norte do país, na terça (27), deixando ao menos quatro pessoas feridas.

Segundo Philip Luther, diretor da Anistia Internacional no Oriente Médio e no norte da África, as clusters são especialmente perigosas, pois, mesmo depois de serem detonadas pela primeira vez, deixam resquícios que por anos ainda têm potencial explosivo, como minas terrestres.

Testemunhas disseram que ao menos três submunições não detonadas foram encontradas no local do ataque.

Convenção

Em 2008, mais de cem países se comprometeram com a proibição desse tipo de armamento. No entanto, Brasil, Iêmen e Arábia Saudita não assinaram a convenção.

A Anistia Internacional suspeita que as bombas utilizadas no ataque de terça (27) foram fabricadas pela empresa paulista Avibrás Indústria Aeroespacial SA. Segundo a ONG Landmine and Cluster Munition Monitor, a Avibrás vendeu esse tipo de munição para o governo saudita no passado, e ela teria sido usada em 1991 em Khafji (Arábia Saudita).

Até o fim da manhã deste sábado (31), representantes da Avibrás não haviam retornado pedidos para comentários. Após ver imagens do ataque no Iêmen, um diretor da Avibrás disse à Anistia Internacional que os resquícios explosivos encontrados se assemelhavam aos produzidos pela empresa no passado, mas não confirmou sua procedência.

A Arábia Saudita e outros países árabes do golfo Pérsico intervieram na guerra civil no Iêmen, no final de março deste ano, para reconduzir ao poder o governo iemenita. No entanto, mesmo após sete meses de bombardeios, os houthis ainda controlam a capital do país, Sanaa. Mais de 5.600 pessoas já morreram no conflito.

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