Autor de ataque disse ser ligado a radicais do EI

By | 08/01/2016

Paris. A Procuradoria de Paris informou, ontem, que o homem morto ao tentar atacar uma delegacia da cidade levava consigo um papel dizendo que o ataque seria feito em nome da milícia radical Estado Islâmico.

O agressor chegou a ferir um agente na porta da delegacia antes de ser morto. A ação aconteceu no mesmo dia em que se completou um ano do atentado à redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em que 12 pessoas morreram.

Em nota, os promotores afirmaram que o papel foi descoberto pela polícia ao lado do corpo do homem, junto com um telefone celular. A folha trazia a bandeira do Estado Islâmico e um texto manuscrito em árabe com a reivindicação pelo ataque.

Não se sabe, no entanto, se o homem agiu em coordenação com a milícia, sozinho ou se a carta pode ser uma ação diversionista para atrapalhar a investigação. Até o fechamento desta edição a polícia não havia conseguido identificar o homem morto.

Segundo o Ministério do Interior, o homem entrou no prédio por volta das 11h30 locais (8h30 em Brasília) e tentou esfaquear com uma faca de açougueiro um dos agentes, que ficou levemente ferido.

Durante o ataque, o terrorista gritou "Allahu Akbar", frase comumente dita por radicais islâmicos antes de executarem seus atentados.

A área da delegacia foi cercada pelas forças de segurança. A polícia francesa também solicitou aos vizinhos que não saíssem de casa. As crianças de um jardim de infância que fica vizinho à delegacia foram colocadas em confinamento.

Minutos antes, o presidente François Hollande havia dito que a "ameaça terrorista" ainda pesa sobre a França, em discurso a policiais responsáveis por proteger o país de novos atentados.

França em alerta

Como resposta ao terrorismo, Hollande anunciou a abertura de um concurso com 5.000 vagas para a polícia e a adoção de novas leis para prevenir novos atentados.

Há um ano, os extremistas islâmicos Said e Chérif Kouachi invadiram a redação do jornal satírico Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas, incluindo chargistas e outros funcionários. A ação foi reivindicada pela Al Qaeda na Península Arábica, filial da rede terrorista no Iêmen. Os dois irmãos, franceses e descendentes de argelinos, fizeram treinamento no país anos antes de cometerem o ataque.

Nos dias seguintes, outras cinco pessoas foram mortas em ataques relacionados em outros pontos da capital francesa. O mais grave foi o cerco contra um mercado kosher, que terminou com quatro mortos.

Desde então, as autoridades francesas decretaram alerta máximo contra o terrorismo. Isso, no entanto, não impediu que Paris fosse alvo de novos atentados em 13 de novembro, que deixaram 130 mortos.

Os terroristas atacaram restaurantes e bares do 11º distrito, a casa de shows Bataclan e tentaram entrar no Stade de France, onde acontecia um amistoso entre as seleções da França e da Alemanha.

Os atentados foram reivindicados pelo Estado Islâmico. Após a segunda série de ataques, o governo fez um novo reforço na segurança e estabeleceu três meses de estado de emergência.

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