Alemanha aprova ajuda à Grécia

By | 28/02/2015

Berlim. Os deputados alemães aprovaram ontem com maioria folgada a prorrogação por quatro meses da ajuda financeira à Grécia, anunciada na terça-feira pela Eurozona. No total, 541 deputados votaram a favor de prolongar, até 30 de junho de 2015, o programa de apoio a Atenas, 32 votaram contra e 13 optaram pela abstenção.

A aprovação era esperada no Bundestag (Parlamento), apesar da linha dura adotada por Berlim nas negociações.

Os partidos da coalizão de governo – conservadores da chanceler Angela Merkel e social-democratas – dispõem de 80% das 631 cadeiras da Câmara. A oposição – Verdes e esquerda radical – também apoiava o texto.

Após o voto, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras prometeu "começar a trabalhar duro" para implementar reformas vitais no país. "O parlamento alemão deu à Europa um voto de confiança hoje", disse Tsipras à rede de TV Euronews.

"A Europa reconheceu agora que a Grécia começa uma nova fase. Começamos a trabalhar duro para mudar a Grécia dentro de uma Europa que está mudando de rumo", afirmou.

Antes da votação, o ministro das Finanças, Wolgang Schauble, pediu aos deputados que aprovassem o texto, apesar de ter admitido que não era uma decisão simples. "A decisão de prorrogar a ajuda também não é simples para mim, mas peço aos deputados que não votem contra porque causaríamos muitos danos a nossa população e ao nosso futuro", afirmou Schauble no Parlamento.

Os deputados decidiram prolongar por quatro meses o programa de ajudas elaborado pelos credores internacionais de Atenas em 2012.

Schauble tentou tranquilizar a opinião pública, que em sua maioria – quase 80% – é contrária a uma nova ajuda Atenas, insistindo que não se trata de conceder bilhões à Grécia ou de modificar os termos do contrato anterior com o país.

"Trata-se, antes de tudo, de conceder um prazo para a Grécia para poder concluir com êxito o programa de ajuda de 2012", que previa um empréstimo de 140 bilhões de euros ao país mediterrâneo, recordou.

O acordo de prorrogação do empréstimo foi concluído na última terça-feira, após uma intensa disputa entre Berlim e Atenas, na qual os dois lados elevaram o tom, sobretudo Schauble e seu colega grego, Yanis Varoufakis.

Ontem, o ministro das Finanças voltou a criticar o governo grego, ao afirmar que a solidariedade entre países europeus não significa "que um possa chantagear o outro".

Os Estados Unidos pediram a Atenas detalhes sobre as reformas previstas e seus projetos em matéria de privatizações, afirmou ontem a embaixada americana na Grécia, após a visita oficial ao país europeu de Amanda Sloat, encarregada de Grécia e Turquia no departamento de Estado norte-americano.

A Grécia precisa do apoio financeiro para manter sua economia, após anos de crise e medidas de austeridade. O PIB do país voltou a registra contração, de 0,4%, no quarto trimestre de 2014 na comparação com o período anterior, e não de 0,2% como na estimativa anunciada em fevereiro.

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