Ações da Petrobras caem após rebaixamento de nota

By | 25/02/2015
Petrobras (Foto: Agência O Globo)

O rebaixamento da Petrobras para grau especulativo pela Moody's causou um rebuliço no mercado acionário, sobretudo na manhã desta quarta-feira (25/02). As ações da estatal chegaram a desabar 8% e quase fizeram o Ibovespa perder o patamar de 51 mil pontos. À tarde, no entanto, o fluxo vendedor diminuiu e uma notícia sobre a possibilidade de a estatal vender ativos acabou fazendo muitos investidores irem às compras. No fechamento, a ação ON caiu 4,52% e a PN, 4,87%.

A Bolsa paulista terminou a sessão com recuo de apenas 0,12%, aos 51.811,02 pontos. Na mínima, marcou 51.051 pontos (-1,59%) e, na máxima, 51.863 pontos (-0,02%). O giro da sessão foi bem mais robusto do que o visto nos últimos dias e totalizou R$ 8,826 bilhões, segundo dados preliminares.

Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a analista sênior da Moody's, Nymia Almeida, argumentou que cortar investimentos é insuficiente para preservar o caixa da Petrobras, porque pode afetar sua receita futura. A diferença de preços de importação e venda de combustíveis no mercado local, hoje favorável à estatal, também não adiantará para recompor caixa porque a Moody's não trabalha com a duração na baixa das cotações do petróleo.

+ Dilma diz que rebaixamento de nota da Petrobras é "falta de conhecimento"

A analista reconheceu que a venda de ativos ou a abertura de capital de subsidiárias poderia ser uma saída para gerar caixa. E, durante a tarde, uma matéria neste sentido deu fôlego aos papéis e, por consequência, ao Ibovespa. Informação da agência Reuters de que o JPMorgan teria sido contratado para realizar a venda de US$ 3 bilhões em ativos da estatal ajudou os papéis a saírem das mínimas e terminarem com perdas menores. 

Banco do Brasil também não escapou da leitura ruim que o mercado fez do rebaixamento da nota da estatal e terminou com perda de 2,11%, apesar de Eletrobras não ter seguido o mesmo caminho (ON +1,18%; PNB +1,23%).

Por incrível que pareça, outra notícia positiva extraída do noticiário negativo da Petrobras é que o recado da Moody's criou um sentido de urgência em relação às metas fiscais no governo. Isso pode favorecer o ajuste, apesar de a presidente Dilma Rousseff ter minimizado o anúncio da Moody's. Para ela, a agência tem "falta de conhecimento do que está acontecendo no Petrobras".

Dólar
O dólar terminou o dia em alta de 1,24%, a R$ 2,8690. Na mínima, marcou R$ 2,8410 (+0,25%) e, na máxima, R$ 2,8850 (+1,80%). 

Revista Época Negócios